O Processo Matrimonial

Orientações pastorais para a Arquidiocese de Porto Alegre

A afirmação de que “O anúncio cristão sobre a família é verdadeiramente uma boa notícia” (Amoris Laetitia, 1) ressoa profundamente em nossos corações e, ao mesmo tempo, impulsionanos a reafirmar, com renovado vigor, a intrínseca beleza e a superabundância de graça contidas no sacramento do Matrimônio e na vida familiar que dele emana.

Nesse contexto, o presente Itinerário de Preparação para a Vida Matrimonial emerge como uma resposta concreta e premente ao reiterado apelo da Igreja por um “novo catecumenato” em preparação para o sacramento do Matrimônio. Torna-se imperativo que tal preparação seja concebida como parte integrante e substancial de todo o processo sacramental, funcionando como um antídoto eficaz contra a proliferação de celebrações matrimoniais nulas ou inconsistentes, frequentemente decorrentes de uma formação superficial que expõe os casais ao risco de traumas e crises de fé.

ORIENTAÇÕES PASTORAIS PARA A ARQUIDIOCESE DE PORTO ALEGRE

Para garantir a validade e a preparação adequada para o Sacramento do Matrimônio, os noivos e a Paróquia devem seguir as seguintes orientações abaixo:

Figura1
Figura1

O Processo Matrimonial da Arquidiocese de Porto Alegre

01

Escolha da Paróquia e início do processo:

Se ambos os noivos residem no território da Arquidiocese, o processo de habilitação pode ser iniciado na paróquia de um deles. Se apenas um dos noivos reside no território da Arquidiocese, o processo deve ser obrigatoriamente realizado na paróquia do domicílio desse nubente.

Recomendação: Os noivos devem procurar a paróquia onde residem ou onde participam ativamente para iniciar o Processo Matrimonial.

03

Etapas essenciais na paróquia:

O Processo de Habilitação Matrimonial será iniciado pelo pároco ouvigário paroquial, conforme a Legislação Complementar da CNBB (Cân. 1067 do CDC), mediante uma entrevista pessoal com os noivos. Nesta entrevista, serão verificados os seguintes pontos:

*Se os noivos gozam de plena liberdade para se casar.

*Se não estão incursos em qualquer impedimento ou proibição canônica.

*Se aceitam o matrimônio conforme a compreensão da Igreja, especialmente quanto à sua unidade e indissolubilidade.

05

Itinerário de Preparação Matrimonial:

A celebração do matrimônio é precedida pela participação dos noivos no Itinerário de Preparação Matrimonial, conforme proposto pela Pastoral Familiar da Arquidiocese de Porto Alegre.

Figura1

Referências:

  • Livro: ITINERÁRIO DE PREPARAÇÃO PARA A VIDA MATRIMONIAL
  • Orientações Pastorais para a Arquidiocese de Porto Alegre
  • 1ª Edição | 2025

02

Prazo e condução:

O processo deve ser iniciado, com pelo menos seis meses de
antecedência (e não menos de três) da data pretendida para o
casamento.

04

Habilitação:

O processo será iniciado com o correspondente pedido escrito, assinado por ambos os noivos, contendo seus dados pessoais e acompanhado dos seguintes documentos de cada um deles:

a) certidão do registro de batismo, expedida pela Cúria Diocesana expressamente para a finalidade de matrimônio e com data não anterior a seis meses da apresentação, incluindo as eventuais anotações à margem ou a informação de que nenhuma consta;

b) cópia de documento de identificação com foto dos nubentes;

c) tratando-se de viúvo, certidão do registro civil de óbito do cônjuge anterior;

d) comprovante de habilitação das partes para casamento civil entre elas;

e) caso tenha obtido sentença de nulidade de matrimônio anterior, apresentar cópia da mesma.

Os dados pessoais podem ser colhidos pela(o) Secretária(o), mas a entrevista pessoal com os noivos tem de ser feita pelo pároco ou, no seu impedimento, pelo Vigário Paroquial, se houver. Aquele que fizer a entrevista com os noivos deve conferir os dados colhidos pela Secretaria.

06

Custos:

Os noivos, seguindo as orientações da Igreja do Rio Grande do Sul, sejam exortados a fazer uma contribuição financeira para a igreja onde se realiza a celebração, como meio de contribuição para a manutenção da comunidade. Caso os noivos já participem da vida ordinária da comunidade onde se realiza a cerimônia, e já contribuam, pastoralmente e financeiramente com a mesma, sejam convidados a realizar uma oferta espontânea em prol das atividades caritativas e pastorais.

“É pedida, especialmente aos cristãos, uma sólida formação espiritual e catequética, que saiba mostrar o matrimônio como verdadeira vocação e missão, sem excluir a possibilidade do dom total de si a Deus na vocação à vida sacerdotal ou religiosa. A preparação para o matrimônio deve ver-se e atuar-se como um processo gradual e contínuo. Compreende, de fato, três momentos principais: uma preparação remota, outra próxima e uma outra imediata.” (FC 66)

Figura1

O matrimônio e a celebração

A celebração do Matrimônio pode ocorrer de três formas: dentro da missa da comunidade (horário padrão); com missa marcada especialmente para a celebração do Matrimônio ou como celebração do Matrimônio, sem missa.

Figura1

Vivência do Sacramento

Pelo sacramento do Matrimônio, os cônjuges são chamados a viver em conformidade com os ensinamentos de Cristo e da Igreja, buscando a santidade no amor conjugal, na fidelidade mútua, na abertura à vida e na educação cristã dos filhos. Isso implica um esforço constante de diálogo, perdão, paciência e doação recíproca, transformando o lar em uma verdadeira Igreja doméstica. Essa união é o reflexo da aliança inquebrável entre Cristo e a humanidade, que culminou em seu autossacrifício na cruz

Figura1

Participação na Vida da Igreja

A graça sacramental fortalece os cônjuges para que continuem a participar ativamente da vida da Igreja. Isso se manifesta na recepção frequente dos sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Reconciliação, na participação na vida paroquial e no serviço à comunidade, testemunhando a alegria do amor cristão e contribuindo para a edificação do Reino de Deus. A família, assim, torna-se um pilar fundamental da comunidade eclesial e um fermento de santidade no mundo. A participação da família na missão da Igreja segue um padrão comunitário: os cônjuges juntos como um casal, os pais e os filhos como uma família, devem viver seu serviço à Igreja e ao mundo. Isso se manifesta no amor entre marido e mulher e entre os membros da família – um amor vivido em toda a sua extraordinária riqueza de valores e exigências: totalidade, unidade, fidelidade e fecundidade.